segunda-feira, 6 de março de 2023

IX. Os feitiços

Todos dormiam profundamente quando, de repente, acordaram assustados com um barulho muito estranho, uma mistura de pessoas falando e andando pela pousada.

Pegaram uma lanterna e desceram para investigar o que acontecia, e foi nesse momento que se depararam com seus amigos fantasmas.


A duquesa Vitória, o duque Armando, a condessa Isabela e o conde Gustavo estavam andando pela pousada sem parar, de maneira descontrolada.


Quando os fantasmas perceberam a presença de seus amigos, ficaram muito felizes em revê-los. Os Sixteen também ficaram contentes, porém apreensivos...


- O que vocês estão fazendo aqui? - perguntou Arion.

- Algum problema novo? - prosseguiu Melissa.

- Vocês mais uma vez por aqui, amigos? Oh, céus... - suspirou Daniel.

- É muito bom vê-los novamente! - pontuou Cravo, quebrando um pouco o clima de tensão.

- Aconteceu algo sério? - indagaram Felipe e Ricardo, quase simultaneamente.

- Parece que não estão bem... - comentou, preocupada, Stefánia.

- Sim, temos um problema para resolver - introduziu duquesa Vitória. Os três livros dos feitiços sumiram! - revelou a condessa Isabela.

- O quê? - exclamaram todos.


- Exatamente: os livros dos feitiços - comentou conde Gustavo. - Estavam guardados há séculos na biblioteca...

- Como assim sumiram? Foram roubados? Que livros são esses? E onde eles podem estar? - perguntou Flores.


Os fantasmas contaram que, muito tempo atrás, Tibianos, Albano, Mikros, Vilanos, Alceu e Crivonilda, seis magos de alma limenon - isto é, bons e queridos por todos, porque ajudavam os outros e só faziam o bem -, para proteger as pessoas de qualquer mal, criaram uma série de feitiços com palavras e formas geométricas e lhes deram o nome de Livro dos feitiços. Os bruxos Magno e Herculano quiseram roubar os livros dos seis magos e usá-los para o mal. Só que, com seus poderes, os magos conseguiram trancar um dos bruxos, Magno, no Mundo dos Sonhos. Herculano fugiu, e nunca mais ouviu-se falar nada a respeito de seu paradeiro.


Assim, os três livros foram guardados em segurança.


Infelizmente, para o desespero dos magos, após muitos anos de prisão, Magno conseguiu fugir do Mundo dos Sonhos.


Dizia a lenda que quem achasse os três livros dos feitiços, criados para proteger as pessoas de qualquer mal, conseguiria acabar com os bruxos Magno e Herculano, trancando-os finalmente no Mundo dos Sonhos; dessa vez, para toda a eternidade.


No entanto, em cada um desses três livros, havia um feitiço muito poderoso. E quem dissesse esses feitiços poderia trancafiar os fantasmas novamente em outro espelho.


- É, meus amigos, esta é mais uma missão para nós... achar os três livros dos feitiços - afirmou Aquileu.

- Realmente, é um problema grave. Mas, amigos, não se preocupem, nós vamos encontrá-los! - falou Tempólio, com firmeza.

- Vamos à ação novamente! - colocou Sila.

- Sem dúvidas - assentiu Penélope -, os três livros dos feitiços não podem ter sumido assim, de repente.

- Espero que eles não tenham caído em mãos erradas... - disse Esmeralda, cruzando os dedos. - Será uma tragédia se estiverem com algum mau-caráter.

- Mas, gente, muita calma nessa hora: por onde vamos começar? indagou Rubens.

- Podemos contar com vocês mais uma vez, meus amigos? - quis saber duquesa Vitória.

- Siiiiim! - responderam os Sixteen, em coro.


Tiveram a ideia de ir ao local onde, segundo conde Gustavo, os livros estavam guardados há séculos: a Biblioteca Sol Brilhante.


Assim que chegaram lá, perceberam que o mostruário de vidro que costumava ser visto logo na entrada da biblioteca não estava mais lá.


Ficaram bem preocupados com a possibilidade de alguém já estar usando a trilogia que guardava segredos tão poderosos.


Foi então que, com a ajuda de Tempólio, voltaram no tempo para o dia em que conheceram seus amigos fantasmas. Assim, lembraram-se que fora justamente o tal bruxo Magno quem lançou a primeira maldição terrível sobre os nobres amigos do Reino Brilhantina, trancando-os no espelho.


Ficaram sabendo ainda que os bruxos Magno e Herculano eram os conselheiros do Reino Brilhantina, sendo que Magno era o irmão mais velho de Herculano e o mais poderoso e perverso dos dois irmãos.


- Só pode ser ele quem está com os três livros, tramando maldades contra nossos amigos - pensou alto Melissa.


- Afinal, ele escapou do Mundo dos Sonhos há pouco tempo concordou Arion. a fazer


Depois de tanta informação, o melhor que tinham era dormir e esfriar a cabeça para o dia seguinte,


A administradora da biblioteca era uma bondosa senhora chamada Lurdes.


Dona Lurdes disse que alguns dias antes um homem ficou horas em frente àquele mostruário de vidro e passou bastante tempo com outras obras preciosas da biblioteca. Depois, saiu sem falar nada a ninguém. Por coincidência ou não, no dia seguinte, o mostruário estava totalmente quebrado, com os vidros espatifados no chão, e completamente vazio.


A polícia foi avisada, mas ainda não tinha localizado o suspeito.


Dona Lurdes disse-lhes que os livros eram bem grossos e descreveu os seguintes detalhes:


A capa do primeiro livro trazia uma gravura na forma de triângulo, com um olho verde-esmeralda brilhante no meio, e o título Livro dos feitiços - Volume I.


Já a capa do segundo livro trazia uma gravura na forma de círculo, com um olho azul-marinho brilhante no meio, e o título Livro dos feitiços - Volume II.


Por fim, a capa do terceiro livro trazia uma gravura na forma de losango, com um olho vermelho brilhante feito de pedras preciosas no meio, e o título Livro dos feitiços - Volume III.


Ela ainda acrescentou que todas as figuras geométricas no meio da capa mediam cerca de doze centímetros de altura. Os escritos eram em letras garrafais, tipo Garamond, na cor dourada e brilhante, envelhecida pelo tempo; o título "Livro dos feitiços" ficava na parte de cima, e o número do volume, na parte inferior.


Não havia dúvida: eram os livros descritos pelos fantasmas.


- Exatamente, são esses os livros que estamos procurando, dona Lurdes disse Melissa.

- A senhora tem conhecimento do conteúdo deles? - completou Arion.


Dona Lurdes disse que ouvira falar dessa trilogia dos feitiços, mas achava que tudo não passava de uma lenda ou uma história inventada.


Os Sixteen explicaram à dona Lurdes a verdadeira história dos livros que procuravam. Ela ficou muito assustada e nervosa:


- Boa sorte, meninos, tentarei ajudá-los no que for possível.


Passaram o dia inteiro procurando os livros na biblioteca, em parques, construções abandonadas, becos e nada! Só muito cansaço, fome e desesperança. Então, os amigos seguiram o caminho de volta à pousada de dona Maria, e dona Lurdes foi para sua casa.


Ao chegarem, todos foram para os quartos descansar e pensar numa solução para encontrar os livros. Teriam que enfrentar uma jornada difícil, com vários perigos e armadilhas afiadas.


No dia seguinte à visita à biblioteca, receberam a inesperada visita de conde Severino e de condessa Lidiana, que lhes contaram que a duquesa Vitória, a condessa Isabela, o duque Armando e o conde Gustavo haviam sido amaldiçoados novamente.


- Nós outros continuamos livres e felizes - adiantou-se a dizer conde Severino -, mas eles precisam de uma nova ajuda, e a situação é muito séria.


A condessa Lidiana contou aos Sixteen que Herculano havia lançado uma nova maldição sobre eles, ainda pior do que a anterior, do espelho gigante do Castelo Assombrado de Sol Brilhante.


Dessa vez, eles estavam presos a uma corrente apertada a ponto de machucá-los e prendê-los para o resto de suas existências.


Apenas a magia dos três livros conseguiria quebrar os elos de ferro daquelas correntes. Para piorar a situação, os dezesseis amigos só tinham até a próxima lua nova para destruir a maldição. Do contrário, os fantasmas ficariam acorrentados para sempre na solidão eterna, num mundo em que apenas a tristeza lhes faria companhia.


- Minha nossa, que fim mais horrível! - surpreendeu-se Flores.

- Que tristeza... viver assim, acorrentado... - comentou Sila, com semblante assustado.

- Muito triste mesmo essa história. Eles não merecem tamanho castigo - assentiram Estrela e Esmeralda.

- Eles não mereciam um fim tão trágico... - colocou Aquileu.

- Uma maldição terrível e sem cabimento... Nossos amigos não mereciam isso - concluiu Rubens, mostrando-se bastante irritado.


Mais do que nunca, eles estavam unidos em uma nova missão, em busca dos livros dos feitiços. Os Sixteen eram muito corajosos e estavam dispostos a ajudar seus amigos fantasmas a terem a sua liberdade de volta novamente. Dessa vez, para sempre.


Conde Severino e condessa Lidiana ficaram emocionados com as belas palavras de apoio, a demonstração de amizade e a disposição em ajudar.


Quando começaram a pensar em como poderiam encontrar os livros, os Sixteen receberam mais uma visita. Agora, eram os seis magos de alma limenon, Tibianos, Albano, Mikros, Vilanos, Alceu e Crivonilda. Eles confirmaram que foi o bruxo Magno quem roubou os livros, levando-os para o Castelo Sombrio. Os magos esperaram ele sair do castelo, pegaram os três livros e os esconderam na Pirâmide dos Enigmas para que não caíssem em mãos erradas novamente.


Assim, os Sixteen decidiram partir novamente em busca da trilogia poderosa que salvaria seus nobres amigos fantasmas da ira dos irmãos e bruxos Magno e Herculano. Começaram a cumprir a missão analisando o mapa, que indicava a localização da pirâmide.


Após uma longa jornada, seguindo ao pé da letra a orientação dada pelos seis magos de alma limenon e o mapa, os Sixteen chegaram à Pirâmide dos Enigmas.


Para entrar, eles teriam que adivinhar o seguinte enigma:


"O que é, o que é: é verdadeiro e puro em um casal unido para sempre e nunca os separa?"


Todos falaram, juntos:


- O amor.


As portas da pirâmide se abriram e os jovens entraram.


- Uauuuuu! - exclamaram todos.


Era um lugar cheio de armadilhas, criadas pelos magos quando esconderam os livros. A construção era gigantesca e escondia muitos segredos valiosos sobre a existência de diversos mistérios.


A primeira passagem da pirâmide os levou a uma linda cachoeira de águas cristalinas. A segunda passagem os levou a um bosque cheio de flores perfumadas.


A terceira e última passagem os levou a uma biblioteca antiga.


Como encontrar os três livros dos feitiços naquele montão de obras empoeiradas? O jeito era procurar, sem ceder ao desânimo, até encontrá-los.


De repente, um dos livros da biblioteca se abriu sozinho, tocando uma melodia suave. Na página aberta, os Sixteen viram o desenho de uma linda harpa dourada, toda encravada de brilhantes.


Quando eles tocaram na harpa, surgiu um feixe de luz forte, e de dentro dele, mais uma vez, os seis magos apareceram.


Os magos guiaram os dezesseis amigos na busca dos três livros dos feitiços. Já anoitecia quando, finalmente, chegaram a uma sala secreta, onde havia três caixas brilhantes: uma era prateada; outra, roxa; e a terceira, laranja. Cada uma escondia um dos três livros dos poderosos feitiços.


- Boa sorte nessa nobre missão, jovens destemidos - falaram os alegres e realizados magos, antes de desaparecerem no feixe de luz que, no mesmo momento, se apagou. A música também parou de tocar, e o livro da harpa se fechou.


Os amigos apanharam os três livros, saíram da pirâmide e continuaram a caçada aos irmãos bruxos Magno e Herculano. Lembraram-se do que haviam dito os magos na primeira vez que se viram, sobre um Castelo Sombrio, e decidiram ir até lá.


Não foi difícil reconhecê-lo. Era uma construção com pouquíssimas janelas, todas fechadas, e uma única porta de entrada. O lugar era realmente assustador, com morcegos voando no céu escuro e com jeito de que iria chover.


Logo que se aproximaram da entrada, perceberam que havia várias armadilhas agudas e afiadas, prontas para atacar.


A primeira armadilha era um canhão carregado de balas de chumbo.


A segunda armadilha trazia um conjunto de espadas com pontas bem afiadas.


A terceira armadilha era composta de três arcos com flechas pontiagudas.


Os Sixteen estavam dispostos a enfrentar esses obstáculos e foram adiante, sem pestanejar.


"Determinação, amor e companheirismo", este era o lema dos dezesseis jovens amigos. Quando se tem determinação, nenhum obstáculo é suficiente para fazer desistir. Sem amor não se pode viver, pois ele é o sentimento mais importante do mundo. Companheirismo é essencial para atingir os objetivos na vida, pois sozinho não se vai a lugar algum.


Com autoconfiança e coragem, conseguiram passar pelas armadilhas. E os três livros serviram de escudos para entrarem no castelo dos irmãos bruxos Magno e Herculano.


Bem na entrada do castelo, os Sixteen avistaram os bruxos distraídos num canto da sala. Era o momento perfeito para agir.


Conforme já planejado, Arion, Melissa e Cravo, juntos, abriram os três livros. Enquanto isso, os outros treze amigos formavam um círculo em volta dos três para protegê-los. Arion foi o primeiro a ler o feitiço do Livro dos feitiços - Volume I:


"Balança, balança, balança sem parar, para seu lugar de volta eu vou te mandar, eu vou te mandar, eu vou te mandar, de uma só vez, sem volta e sem fim, eu vou te mandar".


A seguir, Melissa leu o que dizia o Livro dos feitiços - Volume II:


"Uma estrela do céu que brilha na luz, mande esse mal para bem longe daqui. Uma estrela do céu que brilha na luz, mande esse mal para bem longe daqui, para bem longe daqui".


E, por último, foi a vez de Cravo, que leu no Livro dos feitiços - Volume III:


"Que um brilho de amor e um sorriso no olhar nos liberte desse mal, que um brilho de amor e um sorriso no olhar nos liberte desse mal, nos liberte desse mal".


Tão logo Arion, Melissa e Cravo concluíram a leitura, os bruxos Magno e Herculano ficaram paralisados e foram trancados no Mundo dos Sonhos por toda a eternidade.


Foi também nesse exato instante que se quebraram as correntes que prendiam os fantasmas de duquesa Vitória, de duque Armando, de condessa Isabela e de conde Gustavo.


A maldição foi anulada, para sempre!


Os fantasmas voltaram novamente à sua época de origem e foram muito felizes, juntos, com amor, respeito, sinceridade, paz e muitas alegrias compartilhadas.


A duquesa Vitória e o duque Armando se casaram e tiveram uma linda filhinha, chamada Rubi.


A condessa Isabela e o conde Gustavo também se casaram e tiveram uma linda bebé, chamada Floribela.


E, assim, o Reino Brilhantina ficou cheio de vida, esperança, harmonia e amor. Muito amor!


Obviamente, eles nunca se esqueceram dos dezesseis amigos que tanto os ajudaram. Aquela amizade seguiu firme em suas memórias e em seus corações, junto das lembranças de todas as aventuras que experimentaram.


Resolvido o grande problema, os jovens voltaram para a Pousada Azul, pois seus maiores desejos eram ver suas filhinhas e descansar - depois de um bom banho, é claro.


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