segunda-feira, 6 de março de 2023

XIII. O filme

No domingo, era aniversário de dona Mercedes, e ela convidou todos para ir ao cinema, no centro da cidade, assistir a um filme.

Os Sixteen toparam na hora e quiseram ir logo, porque o filme começaria às 16h no cinema do Shopping Vila Liminosa, e já eram 15h40.


Tão logo chegaram, foram imediatamente comprar os ingressos para o filme escolhido, A força do amor. O filme contava a história de um casal apaixonado que morava em Nova York e trabalhava em empresas diferentes um do outro.


Sandra, mulher de Carlos, era estilista e trabalhava numa empresa de moda internacional, recrutando modelos para desfiles de marcas internacionais famosas.


Carlos era engenheiro civil e tinha uma empresa de construção de casas, arranha-céus e rodovias com altos custos.


Um dia, eles receberam a triste notícia: Carlos estava sen- do acusado de corrupção. Se ele não devolvesse ao governo todo o dinheiro recebido de forma duvidosa, poderia ser preso e perder todo o patrimônio conquistado pelo casal.


Com muito esforço, conseguiram pagar a imensa dívida que, supostamente, deviam às empresas.


Apesar de todos os problemas, Sandra e Carlos nunca deixaram de se amar, e em nenhum momento Sandra acusou Carlos, pois tinha certeza da sua inocência.


O casal estava desorientado e nervoso com os aconte- cimentos. Ambos precisavam esfriar a cabeça para tentar encontrar uma solução, salvar a empresa da falência e não perder tudo. Então, decidiram viajar para um resort na praia.


Chegando lá, foram para o quarto descansar da longa viagem que fizeram, e nem perceberam o quanto o lugar era aconchegante, e a praia, maravilhosa.


Assim que acordaram, logo cedo, saíram para passear pela cidade. Visitaram museus de artes, castelos antigos e templos. Foram ao shopping, almoçaram, lancharam, jantaram e depois voltaram ao resort para descansar.


O que o casal tinha de mais valioso e importante na vida não era o patrimônio, nem o dinheiro, era o amor que sentiam um pelo outro. Isso, sim, era a maior riqueza deles!


Apenas na manhã seguinte eles foram conhecer a praia e entrar naquele mar de águas transparentes.


- Que paz! - exclamou Sandra.

- Que paraíso! - completou Carlos.

- É aqui que vamos recuperar as nossas energias, meu amor!

- Exatamente, querida!


Foi nesse ambiente que eles tiveram uma ideia para retomar sua empresa: procurariam alguma imagem que provasse a inocência deles.


Os dias se passaram lentamente até conseguirem provar que eram inocentes. Uma das câmeras de segurança havia gravado tudo: o vídeo mostrava outra pessoa roubando o dinheiro, não Carlos.


Durante quase todo o filme, Melissa, Flores, Sila, Estrela, Jasmin, Penélope, Esmeralda e Stefânia não paravam de chorar.


A história emocionava a todas pelo fato de o casal, Sandra e Carlos, ser muito unido e sentir amor verdadeiro entre eles, como o delas por seus amados. No final do filme, eles acabaram recuperando tudo e, claro, continuaram juntinhos.


Aquele casal unido, feliz, harmonioso, com muita garra, força de vontade e esperança, ninguém e nada jamais conseguiria separar. Os Sixteen também tinham essa mesma esperança.


Na saída do cinema, dona Mercedes disse que estava muito feliz pela companhia de todos e que o passeio tinha sido muito agradável e divertido.


Então, Melissa sugeriu fazer uma festa surpresa com um lanche bem especial para comemorar o aniversário de dona Mercedes, uma pessoa boa e generosa, que apoiava quem precisasse com alegria e seu belo sorriso.


Os jovens concordaram com a proposta na hora: as meninas preparariam a decoração da festa e o lanche, enquanto os meninos cuidariam da música e das bebidas.


Deu tudo certo! A decoração ficou harmoniosa, cheia de flores por todos os lados, o lanche delicioso, a música linda e as bebidas geladinhas.


Dona Mercedes ficou felicíssima com a surpresa da comemoração. Chorou de alegria, pois nunca tivera uma festa de aniversário na vida. Estava emocionada ao ver tanta gente amiga ao seu lado.


Ela contou que quando era criança sempre ficava trabalhando e olhando as outras crianças brincarem na rua ou na calçada. Ela mesma só poderia brincar depois que cumprisse as tarefas de casa, que eram a prioridade. Só depois de tudo pronto, podia brincar de boneca ou alguma outra brincadeira divertida com as amigas.


O problema é que, quando ela finalmente terminava todos os afazeres, era tarde e sobrava somente um tempinho de lazer. Só os domingos, na parte da tarde, eram separados para brincar.


Depois de alguns anos, dona Mercedes se tornou uma linda moça, meiga e simpática, moradora daquela vila maravilhosa, sempre sorrindo para as pessoas e cumprimentando todo mundo.


Ao se casar, nada mudou: dona Mercedes ficou cuidando da pensão, e seu Jarbas, seu marido, trabalhando na marcenaria o dia inteiro. Quando seus filhos, Christian, Afonso e Paula, nasceram, dona Mercedes e seu Jarbas ficaram muito contentes! As crianças eram lindas e educadas, sempre ajudavam em tudo o que eles precisassem.


Dona Mercedes disse que a maior riqueza da vida é a familia!


Ao terminar de contar a história, todos ficaram impressionados com a coragem que dona Mercedes tinha para enfrentar as dificuldades da vida, sempre junto à sua família.


A animação foi até altas horas da noite, e todos foram dormir tranquilos e felizes com o sucesso da surpresa de aniversário. Tinha sido um dia especial, alegre e harmonioso com os amigos reunidos!


Enquanto o sono não vinha, Arion ficou pensando em como seria a vida ao lado de Melissa quando eles se casassem e oficialmente formassem uma família. Seria maravilhoso!


Assim pensavam também Aquileu, Cravo, Tempólio, Ricardo, Felipe, Rubens e Daniel, em seus casamentos com Flores, Sila, Estrela, Jasmin, Penélope, Esmeralda e Stefânia, respectivamente.


Seria a concretização do sonho mais belo de todos, como em um conto de fadas que se torna realidade. A alegria e a felicidade plena de cada casal.


Mas, como sempre, uma angústia surgia: como os pais reagiriam à notícia inesperada de uma hora para outra? Como seria o julgamento deles? Será que, finalmente, eles seriam felizes para sempre? Teriam o laço inseparável, que não poderia ser quebrado até que a morte os separasse?


Seria o amor a única testemunha do romance entre pessoas que se amavam e que queriam ser felizes como uma família unida e feliz? Teriam uma longa vida pela frente sem desa- venças para serem completamente felizes?


Será que Lírio e Hibisco, pais de Melissa e Flores, Marí- tima e Tritão, pais de Arion e Aquileu, Cristal e Heráculos, pais de Sila e Estrela, e Minerva e Agamenon, pais de Cravo e Tempólio, perdoariam os filhos por não casarem com quem eles queriam?


E Armina e Romero, pais de Jasmin e Penélope, Catarina e Mário, pais de Ricardo e Felipe, Aurora e Pablo, pais de Esmeralda e Stefánia, Marina e Reinaldo, pais de Rubens e Daniel, aceitariam esses amores repentinos?


Quantas indagações!


Todos se emocionaram muito. Poder viver um amor verdadeiro, sincero e puro, sem nenhuma desconfiança, com respeito ao companheiro ou companheira e, principalmente, relacionando-se com carinho e dignidade.


Acreditavam nessa união que nunca acabaria. Estariam juntos até o fim, apostavam.


No dia seguinte, antes de o sol nascer e antes mesmo que dona Mercedes tivesse acordado, os rapazes saíram e foram à joalheria de seu Manoel e de seus filhos Tobias e Romeu.


Num atendimento especial, comprariam os anéis de noivado para presentear as amadas no dia da festa de noivado.


Chegando lá, seu Manoel foi recebê-los na porta da loja, levou os jovens até uma salinha secreta e foi mostrando as joias mais puras e reluzentes.


Arion viu um anel com uma pedra cor-de-rosa e resolveu levar de presente para Melissa, porque ela amava essa cor.


Aquileu comprou um anel com pedra roxa para dar a Flores.


Ricardo ficou encantado com o anel de pedra vermelha e comprou para presentear Jasmin.


Felipe viu um anel com pedra dourada e comprou para sua amada, Penélope.


Cravo se encantou com um anel com pedra alaranjada e comprou para dar a Sila.


Tempólio, por sua vez, ficou boquiaberto com um anel de pedra azul e comprou para Estrela.


Rubens admirou-se com o anel de pedra verde e escolheu para sua Esmeralda.


E, finalmente, Daniel comprou um bonito anel com pedra lilás para a bela Stefania.


Todos os anéis seriam entregues no dia em que eles pedissem as meninas em casamento. Quando seria?


Seu Manoel e os filhos Tobias e Romeu ficaram muito contentes com o bom gosto dos meninos em sua joalheria, e mais contentes ainda com a quantidade de anéis vendidos num único dia - oito, no total.


Quando os rapazes voltaram à Pousada Raio Feliz, havia absoluto silêncio. Todos ainda dormiam profundamente e ninguém percebeu aquela saída cuidadosa. Eram nove horas quando as meninas se levantaram e foram tomar café da manhã na cozinha.


O café e o leite estavam bem quentes, como preferiam. Na mesa, sobre a toalha xadrez vermelha, muitos pães recém-assados, torradas bem crocantes, manteiga caseira, ovos mexidos e frutas suculentas.


Esse era sempre um momento sagrado na rotina dos Sixteen. Fazer juntos as refeições para jamais perderem a convivência e o prazer de estarem unidos.


Ao longo do dia, as meninas acharam os meninos muito estranhos. Mal sabiam do mistério. Era um segredo masculino, que ficaria bem guardado até o dia do noivado, quando dariam os anéis e selariam o amor com suas escolhidas.


Os meses se passavam no tempo dos reinos. Diariamente, Melissa e Flores conversavam sobre como seriam as suas vidas de casadas com Arion e Aquileu. Sonhavam com o casamento mais lindo que alguém no mundo poderia imaginar.


Assim também imaginavam Jasmin, Penélope, Sila, Estrela, Esmeralda e Stefânia, quando casassem com Ricardo, Felipe, Cravo, Tempólio, Rubens e Daniel: uma cerimônia romântica, com flores perfumadas, tapete vermelho e com muita gente querida.


Os casais imaginavam também as famílias presentes, apoiando e abençoando a união deles diante do mundo inteiro.


Por enquanto, era sonho...


Real, mesmo, era o casamento de Paula, que estava chegando.


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